30/05: Conhecimento Secreto

David Hockney, artista britânico radicado em Los Angeles, é muito conhecido pelas pinturas de cenas das paisagens e do estilo de vida californianos, e também pelas composições de fotografias que começou a fazer nos anos 80 (veja imagens abaixo).
Hockney é também um curioso da técnica do artista, que o levou a estudar o trabalho dos antigos mestres renascentistas. Ele montou uma linha do tempo das pinturas e escreveu um livro (Secret Knowledge, ou Conhecimento Secreto) com provas substanciais da sua polêmica teoria. Ele verificou em que época exatamente a influência da ótica nas pinturas se tornava inegável, analisando trabalhos de mestres como Ingres, Velázquez e Caravaggio, para citar apenas alguns. As obras passam a ter, por volta de 1500, uma perspectiva e profundidade riquíssimas, influência do uso de lentes e ótica na confecção das pinturas. Na época, este conhecimento era passado apenas do mestre para o aprendiz, e não divulgado publicamente. Quando alguns acham que a teoria sugere que os pintores "trapaceavam" ao usar ótica, Hockney se apressa em afirmar que "o uso da ótica não diminui a grandeza do trabalho artístico, uma ferramenta é apenas uma ferramenta, o que produz a obra é a visão criativa e a mão do artista. "

A tecnologia sempre esteve presente nas formas de expressão. O diálogo dinâmico entre arte e tecnologia é a principal contribuição da arte multimídia para a cultura em geral. McLuhan, o grande estudioso das comunicações, é muito conhecido pela frase "o meio é a mensagem". Ele foi um dos primeiros a teorizar a evolução das comunicações e nos deu sua visão, ainda nos anos 50-60, do que estaria por vir. O meio é a mensagem porque o meio molda a mensagem, ela existe através dele. A idéia mais pura se transforma e se define quando escolhemos o meio para expressá-la.
Instalações multimídia não são a tecnologia, são a idéia que essa tecnologia pretende passar. E essa tecnologia está ficando cada vez mais acessível. Nós temos atualmente, ao contrário dos renascentistas, muita tecnologia ao nosso redor. Em cinco séculos percorremos tantas mudanças e no entanto ainda podemos olhar para trás e refletir sobre a ferramenta do artista. É preciso entender a tecnologia e incorporá-la, não deixar que ela fique em sua função pré-definida, saber do seu potencial inovador como ferramenta e desafiar seu uso comum para criar formas alternativas de expressão. Subverter a tecnologia que nos é mais óbvia, que nos cerca no dia a dia, mostrando que o potencial para inovar não deve se perder, deve ser constantemente reinventado pela mente do artista.
www.davidhockney.com

